Como nossos pais por Judith Brito

E com vocês… Judith Brito.
 
 

Como nossos pais

 
mae-modeloRecentemente, em conversa com minha nora, relembrei o upgrade da minha mãe no ranking de minhas admirações depois que tive meu primeiro filho. Bem, sua avaliação já não era pouca coisa, entre outras razões, por seu inabalável bom humor – e não tem preço conviver com gente bem-humorada em casa. Mas, claro, minha arrogância juvenil fazia-me acreditar que eu seria uma mãe melhor ou, digamos, mais profissional. Nada daquela confusão infantil reinante em minha casa materna.
 
gravida-livros-biblioteca Eu lera tudo que havia disponível sobre como cuidar de filhos, como entender os bebês etc. Embora na época os estudos fossem mais precários e rígidos, comparativamente à fartura atual de vertentes, eu me achava expert quando engravidei do meu primeiro filho.
 
 
 
 
mae-em-desespero Bem, nenhum livro me esclareceu que me sentiria completamente insegura e desamparada, além de esgotada de cansaço. A teoria simplesmente não funcionava. Minha mãe ajudou-me nos primeiros dias, mas na época tinha uma casa cheia de filhos para cuidar, e não podia permanecer em São Paulo por muito tempo. Fingi que estava tudo bem, mas mal ela saiu pela porta do meu apartamento, sentei no chão pra chorar – até que outro choro me lembrou que não podia me dar esse luxo. A todo momento, minha vontade era gritar: “Eu quero a minha mããããe!”
 
 
enlouquecendo-com-o-bebe Não resisti à ideia de mudar pra casa dela por uns tempos, e realmente achei que estava à beira da loucura quando, como faziam todos os dias, meus pais me avisaram que dariam uma volta após o almoço, distribuindo para parentes e amigos as frutas que colhiam no sítio. Minha reação foi de contrariedade, como se eles fossem proibidos de se afastar de mim (e do meu pequeno carrapato), por um momento que fosse. Felizmente, a ficha caiu rapidamente, e percebi que já era bem grandinha para ser carrapato dos meus pais.
 
 
mae-alegre-bem-humorada Passei a admirar minha mãe mais que nunca. Como ela conseguira sobreviver a oito filhos, todos bebês chatos, sem enlouquecer? Mais ainda, mantendo uma calma budista? Ficou claro ser esse um talento dela, e que essa capacidade não se confunde com conhecimento teórico. Ela continuou me ajudando com seu exemplo e, mais ainda, com sua disponibilidade para cuidar do neto, principalmente nos finais de semana, quando eu invariavelmente me asilava em sua casa. Assim, vinte anos depois, minha experiência com meu segundo filho pôde ser mais tranquila.
 
 
não-basta-ser-vovó Por isso, quando minha nora me pediu para substituir sua mãe – que viajaria por uma semana –, ajudando-a a cuidar do meu neto, senti a possibilidade de retribuir um pouco o que minha mãe fez por mim. Sei que não é a mesma coisa. Afinal, mãe é mãe, insubstituível. Mas, como diz o ditado, mais vale uma sogra na mão que duas mães voando.
 
 
 
vovó-emocionada-com-neto Além da emoção de poder estar perto do meu neto, relembrei como um bebê – esse ser tão pequeno que, em tese, só mama e dorme -, dá trabalho! Solidarizei-me com a mãe novata e com o pai ansioso (aliás, participante como poucos), e partilhei das neuras modernas, o temor aos milhões de micróbios que habitam o mundo etc.
 
 
 
mae-abracando-o-bebe Mas, mais que tudo, recordei e força dessa mulher incrível que foi minha mãe – a quem, nesse papel, não chego aos pés. E agradeci a sorte de, na esfera profissional, ter um trabalho tão fácil, incomparavelmente mais simples que administrar um bebê.
 
 
 
 

A escritora

 
judith britoJudith Brito tem 57 anos, nasceu em Itatiba, São Paulo. É autora dos livros “Mãe é Mãe” (Publifolha), “Ah! O amor” (Publifolha), “A metade ideal” (Sá Editora) e “Causos Itatibenses” (Tuva Editora).
 
 

 

  • Leia Vovós por Judith Brito.
  • Somente reconhecemos o real valor dos nosos pais depois que nos tornamos pais.
  • Será que os bebês estão mais exigentes ou nós estamos mais moles?
  • Não chego aos pés de minha mãe, que com sua paciência, gerou e criou 12 filhos.
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