Dignidade por Judith Brito

Judith Brito nos traz uma reflexão delicada para uma decisão difícil.
 
 

Dignidade

 
A-TEORIA-DE-TUDO- Assisti ao filme “A teoria de tudo” – sobre a vida do físico Stephen Hawking com sua mulher (atualmente, ex) Jane – e gostei. Apesar de ser “água com açúcar”, mostrando pessoas quase perfeitas enfrentando a trágica doença do gênio, não há dúvida de que há muito mérito na trajetória de Hawking, e também no que sua heroica mulher suportou para ajudá-lo. Falando a verdade, hoje prefiro os enredos romanceados. Chega de filmes de arte que mostram como é o mundo real. Pra quê? Já estou careca de saber como a vida pode ser, às vezes. Histórias deprê são convenientes para ganhar o Oscar – como Birdman, que também vi –, mas eu, em meu papel de plateia, ficarei com os finais felizes.
 
teoria-de-tudoVoltando ao filme sobre Hawking: numa cena o físico, já deformado pela doença (esclerose lateral amiotrófica), tem uma crise, é levado para o hospital e precisa ser entubado. O médico aconselha Jane a deixá-lo morrer em paz, já que a vida, se vingasse, seria ainda mais sofrida, com respiração através de traqueostomia. Jane não teve dúvida: insistiu para que a operação fosse feita, mesmo que a qualidade de vida do marido pudesse piorar. Difícil decisão. No caso, tratava-se de alguém importante para o mundo, capaz de avanços para a Ciência. Mas pensando friamente na situação da pessoa…
 
brittany maynard Recentemente, foi notícia no mundo todo a decisão da norte-americana Brittany Maynard de escolher como e quando morrer, após ser diagnosticada com tumor cerebral incurável, com tempo de vida estimado em seis meses. Para ela, o tratamento (sem resultado) a impediria de aproveitar o tempo de vida restante. Em certos estados americanos, como o Oregon, o suicídio assistido é legal, assim como na Alemanha, Holanda, Suécia e Bélgica. Também repercutiu o caso da adolescente chilena que, cansada da doença incurável (fibrose cística), pediu à presidente Michelle Bachelet autorização para a eutanásia – que a lei chilena não permite.
 
morte-digna Provavelmente inédita foi a atitude de uma mulher brasileira saudável decidindo registrar em cartório seu desejo de morrer com dignidade, o que significa não ter sua vida prolongada desnecessariamente por recursos médicos, quando tais recursos forem apenas protelatórios. Desconheço a eficácia jurídica de tal documento, mas entendo ser direito de cada um optar por preservar a vida a qualquer custo ou, ao contrário, optar por não prolongá-la quando o sofrimento e a morte são certos.
 
despedida-desapego Assunto mórbido e complicado, sem dúvida. Mais difícil ainda é decidir por pessoa próxima que não se manifestou claramente sobre o assunto. Foi assim nos casos dos meus pais e dos meus dois irmãos, quando estavam em fase terminal: declarei aos demais irmãos e aos médicos o desejo de evitar qualquer procedimento protelatório que significasse sofrimento inútil. O amor não pode ser egoísta, não pode exigir a preservação da vida a qualquer preço, à custa do sofrimento do outro.
 
morrendo-de-rir Por isso, para facilitar a decisão dos meus filhos (caso eu mesma não possa fazê-lo na ocasião – que, espero, demore muito), já deixei claro o que penso: a vida vale a pena sob certas circunstâncias. Prefiro algo mais pá-pum, como morrer de rir ou algo semelhante, mas se não for possível – e mesmo não tendo registrado a decisão em cartório –, fica aqui exposta a minha opção.
 
 
 

A escritora

 
judith britoJudith Brito tem 57 anos, nasceu em Itatiba, São Paulo. É autora dos livros “Mãe é Mãe” (Publifolha), “Ah! O amor” (Publifolha), “A metade ideal” (Sá Editora) e “Causos Itatibenses” (Tuva Editora).
 
 

 

  • Leia Champagne por Judith Brito.
  • Reflexão importante, decisão difícil.
  • Apostar as vezes, faz toda a diferença.
  • A “vítima” deve decidir se quer buscar mais tempo de vida ou evitar o sofrimento.
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