Manual do elevador por Judith Brito

Manual do elevador é o primeiro de uma série de textos de Judith Brito que publicaremos. Bem vinda na casa da Ana, Judith!
 
 

Manual do elevador

 
Como necessidade diária para os que transitam por prédios, o uso do elevador merece um manual de etiqueta. Trata-se de um ambiente de convívio social e profissional de pessoas conhecidas e desconhecidas, num espaço restrito, o que pode gerar momentos constrangedores, caso o usuário não esteja bem preparado.conversa de elevador
No prédio residencial, por exemplo, há questões sobre as quais refletir. Como tenho um problema crônico de memória, mesmo que encontre meus vizinhos com frequência, nunca me lembro de detalhes importantes: seus nomes, o que fazem, se são casados e com quem ou quem é filho de quem. Assim, para evitar gafes, opto por papos genéricos e simpáticos, usando o bom senso para calcular o tempo até o andar desejado, de forma que o raciocínio tenha começo, meio e fim. Não adianta, por exemplo, propor um debate sobre o sentido da vida, invocando Heidegger e Nietsche, se em alguns segundos a conversa precisará ser interrompida – e, sabemos, não se deve segurar a porta do elevador para poder encerrar o debate com o argumento vencedor. Guardemos essas questões filosóficas para locais mais adequados, como o botequim.
O tema mais óbvio é a meteorologia (“Que esfriada, hein!? Parece que vai chover” etc.). Avisos do síndico pregados nas paredes do elevador também costumam ser bons temas, desde que sejam evitadas críticas sobre a gestão, pois um parente dele pode estar presente, gerando o maior barraco. Em tempos de escassez de água, a administração do meu prédio divulga os gráficos de consumo médio dos condôminos; assim, partilhar formas de economizar o precioso líquido é salutar.
Elevador de palhaçosA presença de crianças no elevador – desde que sejam fofas, e não do tipo “demônios da Tasmânia” – quebra a formalidade e facilita as coisas. Pode-se comentar sobre como cresceram (mesmo que você não se lembre de tê-las visto antes), ou argui-las com perguntas adequadas à faixa etária, e aguardar respostas espirituosas, até a chegada do andar desejado. Mas há também os moleques impertinentes, desses que soltam pum em ambiente fechado, protegidos pela lógica do número de pessoas: se há mais de duas presentes, não haverá certeza sobre o autor. Pois eu já desmascarei delinquentes deste naipe, visto estar certa de que não tinha sido eu. Provei-lhes mostrando não estar com as mãos amarelas. pode tudo no elevador
Em prédios comerciais, as regras são diferentes. Para começar, há os “elevadores inteligentes”, verdadeiros desafios para usuários burros. Eu mesma, quando esses modelos ainda eram novidade, já entrei no elevador, para só então notar que não há botoeira em seu interior, e que eu deveria ter indicado o andar desejado na botoeira do andar de embarque. Em alguns casos, a música do elevador – a muzak – pode justificar o silêncio, mesmo que se trate de estilo insosso e sonífero. Além disso, muitos elevadores desses prédios têm telas com notícias, horóscopo etc.
pegadinha do elevador Agora, o mais importante, seja no elevador residencial, seja no do escritório: NUN-CA, JA-MAIS, se esqueça de que não está sozinho num elevador. Não me refiro à brincadeira de mau gosto da tal menina fantasma. Falo do monitoramento interno por câmeras. Não futuque perebas em frente ao espelho, nem cavouque o nariz, muito menos ensaie aquele passo de dança para a próxima festa. Enquanto você se imagina sozinho, agentes em cabines de segurança do prédio divertem-se com o seu comportamento. Pior, os circuitos internos de prédios residenciais transmitem as imagens para todos os apartamentos – e há moradores vigiando dia e noite para pegá-lo no pulo. Evite virar motivo de chacota da vizinhança.
 
 

A escritora

 
judith britoJudith Brito tem 57 anos, nasceu em Itatiba, São Paulo. É autora dos livros “Mãe é Mãe” (Publifolha), “Ah! O amor” (Publifolha), “A metade ideal” (Sá Editora) e “Causos Itatibenses” (Tuva Editora).
 
 

 

  • Leia Humor em retrospectiva.
  • Estes textos servem para relaxar e dar umas boas risadas.
  • Mas que faz falta um manual de etiqueta para elevador, isso falta.
  • Judith estará sempre conosco aqui na casa da Ana. Bem vinda Judith.
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