Ponto e vírgula por Judith Brito

E com vocês…Judith Brito!
 
 

Ponto e vírgula

 
ponto-e-virgula Outro dia, um dos meus irmãos descreveu uma pessoa como alguém que “não tem ponto nem vírgula”. Referia-se à conhecida como portadora da tendência de falar sem parar, numa sequência infinita de palavras. Também conheço pessoas assim. Mas, como sou mais de ouvir que de falar, em certos casos, se o assunto do outro for interessante, acho até bom que discurse pelas duas partes. Confesso que tenho até certa inveja de quem tem essa facilidade para encadear frases. A parte embaraçosa acontece quando preciso ir embora: tento desesperadamente interromper a fala – sem ser mal-educada –, e não consigo.
 
 
pontuacao Já na escrita, acho fundamental a pontuação. Já tive experiências ruins com sua simples falta. Certa vez, recebi uma mensagem eletrônica composta somente de palavras: “Eles ainda não chegaram”. Entendi como uma afirmação, ou seja, como a constatação de que quem deveria estar num certo local, naquela hora, não havia comparecido. Liguei para os supostos atrasados e passei-lhes uma descompostura. Na verdade, eles tinham cumprido o compromisso e já haviam chegado. A mensagem original era uma pergunta: “Eles ainda não chegaram?”. Esse mero ponto de interrogação fez toda a diferença, e cometi uma gafe. Agora, tento “interpretar” as (tão comuns) frases sem pontuação, em especial as enviadas em mensagens eletrônicas, de forma a evitar incidentes.
 
 
ponto-e-virgula-nova-ortografia O fato é que o texto despontuado até pode ser arte, mas não é ofício para qualquer um. José Saramago abusou da falta de pontuação e de outras transgressões gramaticais. Quando li “A viagem do elefante”, minha primeira impressão foi a de que desistiria nas primeiras páginas. Era uma sucessão de palavras, emaranhando o sentido do texto. Tratava-se, certamente, de um truque, uma isca para fisgar o leitor. Tão logo me acostumei com o ritmo, tudo se encaixou. Fiquei apaixonada pelo enredo e, mais ainda, pelo estilo.
 
 
a-viagem_elefante “A viagem do elefante” baseia-se numa história real, processada pela imaginação e pela fina ironia de Saramago – transformando falhas na escrita em literatura das boas. O personagem principal é o elefante Salomão – um exótico estorvo no palácio português – que, nos idos do século XVI, foi oferecido (como presente) pelo rei de Portugal e Algarves, Dom João III, ao arquiduque austríaco Maximiliano II. Como o animal vivia em Goa com seu tratador indiano, teria de ser levado até Viena, acompanhado de uma equipe que atravessaria territórios portugueses, espanhóis e italianos.
 
 
insignificancia_homem_ “A viagem do elefante” é, de alguma forma, uma metáfora de nossa passagem pela vida humana: cheia de sublimes epopeias e ridículos (e cômicos) esforços. Como diz Saramago: “É fácil aceitar que um centímetro no mapa equivale a vinte quilômetros na realidade, mas o que não costumamos pensar é que nós próprios sofremos na operação uma redução dimensional equivalente, por isso é que, sendo já tão mínima coisa no mundo, o somos infinitamente menos nos mapas.”
 
 
ponto-final E ponto final!
 
 
 
 
 

A escritora

 
judith britoJudith Brito tem 57 anos, nasceu em Itatiba, São Paulo. É autora dos livros “Mãe é Mãe” (Publifolha), “Ah! O amor” (Publifolha), “A metade ideal” (Sá Editora) e “Causos Itatibenses” (Tuva Editora).
 
 

 

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  • A banalização das regras gramaticais na comunicação tem os dois lados.
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